"Meu filho de três anos já escreve o próprio nome!", diz uma voz.
"A minha, aos quatro, já lê e desvenda as formas geométricas!", celebra outra.
"O meu, mal completou nove meses e já desafia a gravidade com os primeiros passos!", ecoa o orgulhoso.
Quando uma criança caminha, lê ou escreve, quem realmente mensura o instante exato em que ela se apossou da habilidade?
Podemos, decerto, apressar o plantio e forçar a colheita. Podemos ensinar letras a mãos que ainda pedem barro, mas a que custo? Para qual destino?
A alfabetização precoce consome uma energia vital — um fogo sagrado que deveria estar aquecendo as vivências do agora, aquelas que se tornam o alicerce de uma vida inteira.
No primeiro setênio, a criança não apenas cresce; ela estreia o mundo. É o tempo de habitar o próprio corpo antes de habitar os livros.
Nas histórias de ninar e nos contos de fada, ela encontra o mapa para navegar seus próprios medos. No pular corda, no saltar e no correr, ela constrói a arquitetura da sua inteligência motora global — a fundação robusta que, no tempo certo, se tornará a delicadeza do traço e a clareza do pensamento.
O parquinho é a sua primeira parada. Ali, no encontro com "o outro", nas tramas da parceria, no sabor agridoce do ganhar e do perder, o indivíduo é esculpido.
O conhecimento não deve ser um fardo imposto, mas uma descoberta lúdica, um tesouro encontrado entre um tropeço e uma risada.
É preciso que cada fase seja vivida em sua plenitude, como uma estação que cumpre seu papel para que o fruto venha doce. Adultos saudáveis são, em essência, crianças que puderam ser plenamente crianças.
Uma criança que ouve e vive histórias, escreverá o amanhã com ricas tintas de sentido. Uma criança que brinca, aprende a sagrada arte de se relacionar com o mundo de forma leve, transformando a seriedade da vida em um eterno estado de encantamento.
Daí surgirão nossos futuros escritores!
Que tudo seja a seu tempo!
Lila e Marcella
Coordenação Pedagógica

