O mundo adulto é feito de relógios, metas e pressa. O mundo da criança é feito de texturas, pausas e descobertas. Quando exigimos que uma criança pequena reaja à vida com a nossa lógica, cometemos um equívoco invisível: esquecemos que elas acabaram de chegar.
A infância não é um ensaio para a vida adulta; ela é a vida acontecendo no presente. O cérebro da criança vivencia as experiências ora como uma tempestade emocional que ela ainda não sabe nomear ou controlar, ora como uma grande surpresa, cheia de brincadeira e euforia, mas sempre como quem vê tudo pela primeira vez, inaugurando seu olhar diante da vida e dos acontecimentos.
O que o adulto chama de "perda de tempo", a criança chama de: pesquisa científica e imperdível de uma formiga no chão, por exemplo.
Praticar a empatia na primeira infância significa encontrar nossa criança desejosa de escuta e atenção, através de nossos filhos e alunos e compreender que o choro por um brinquedo quebrado carrega a mesma intensidade da nossa dor por um projeto que deu errado. Quando validamos os medos, as decepções e os desejos de uma criança, construímos coragem, força e contorno. Em vez de tentar trazer a criança à força para o nosso mundo cinzento de cobranças, que tal aceitarmos o convite para visitar o mundo delas, onde o tempo corre mais devagar e o amor se mede em presença?
Coordenação Pedagógica
Lila e Marcella

