Já parou para pensar quantas possibilidades há em um quintal?
Como um convite para os olhos da infância, um mundo se revela para as
crianças através dos espaços livres. É uma formiga que anda carregando sua folha, a
areia que voa de uma pá a outra, o burburinho de um corre-corre animado embalado
no famoso pega-pega. O olho que aprecia e que contempla dá asas aos nossos
investigadores natos, nossas crianças que têm na natureza e no vínculo com seus
pares e professoras, a promessa de grandes aprendizados.
A natureza e seu contato com ela criam um cenário onde a criança pode testar
seus limites, confiar na força do seu próprio corpo, dar continuidade ao seu projeto de
aprender, tudo convida à descoberta. Ao brincar, ela experimenta papéis e constrói
sentidos. E, quando põe a mão na massa, seja plantando uma semente, misturando
tintas ou modelando o barro, transforma curiosidade em conhecimento. Aprende
fazendo, errando, tentando de novo, como quem conversa com o mundo.
O laboratório a céu aberto estimula nossos pequenos a expressar suas
narrativas, criar e imaginar. A arte e a ciência são suas aliadas nesse processo de
crescimento e investigação.
De forma integral, seus sentidos são aguçados, sua curiosidade transborda,
sua autonomia se revela e nesse processo de desenvolvimento nasce um ser que
mais tarde fará usos desses recursos para continuar crescendo.
Na educação infantil, o mundo é maior que a carteira, mais amplo que o
quadro, mais vivo que qualquer silêncio imposto. O quintal com sua terra, seus
insetos, seus ruídos e seus mistérios, transforma-se em sala de aula sem pedir
licença. Ali, o saber não se organiza em fileiras: ele brota. Porque educar crianças
pequenas é, antes de tudo, permitir que elas encontrem o mundo com o corpo inteiro.
A criança aprende quando corre, quando se suja, quando inventa regras para
jogos que só existem naquele instante. O brincar não é pausa, é linguagem, é
pensamento em movimento.
Se quintal é sala de aula, então cozinha também é laboratório, assim como a
calçada, a praça, o corredor, a rua que passa. Há educação no cheiro do bolo que
cresce, na água gelada, na massa que muda de forma entre os dedos. Há
aprendizagem no caminho até a escola, no encontro com o outro, no improviso do
cotidiano. Educar, afinal, é reconhecer que o mundo inteiro pode ensinar, basta abrir
os olhos, as mãos e o tempo para que a infância o transforme em experiência.
Lila e Marcella
Coordenação Pedagógica

